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terça-feira, 12 de novembro de 2013

A POESIA TRANSCENDE A NOSSA IMAGINAÇÃO!

                                       NAS ASAS DO TEMPO                                                         


Vou caminhando pela a vida a fora
Levando sonhos no meu coração;
A vida passa, logo se evapora...
Somente os sonhos permanecerão!

Vou caminhando pela a vida a fora,
Sonhando sonhos pela multidão;
Mas quem sabe um dia no arrebol d’aurora
Nossos sonhos se realizarão!

Estou sonhando, pois sonhar não cansa;
Agarrei-me nas asas da esperança
E em Jesus Cristo eu creio na redenção!...

E se me chamarem de um sonhador
Porque acredito no meu Salvador...

Ficará feliz o meu coração!

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

AS CHAVES DA REFORMA DA CÚRIA ROMANA

Mais do que mudar estruturas, o objetivo é criar uma mentalidade de serviço.


O Papa Francisco destacou alguns pontos essenciais para a reforma da cúria romana: a reforma de dois órgãos colegiais (o sínodo e o consistório de cardeais, ambos órgãos consultivos do Papa), e uma maior presença das mulheres nos organismos eclesiais nos quais não se precisa da ordenação episcopal ou sacerdotal.

A reforma do sínodo dos bispos também começou com a nomeação do arcebispo italiano Lorenzo Baldisseri como secretário geral do sínodo. Baldisseri foi núncio na América Latina e na Ásia, secretário do conclave e é, além disso, secretário da Congregação para os Bispos.

O Papa Francisco quer que haja um forte fluxo de comunicação entre os diversos bispos e ele, dentro e fora da cúria, com o fim de melhorar o princípio da colegialidade entre os bispos e o Papa.

O sínodo, instituído pelo Concílio (Chrisus Dominus, n. 5), é um órgão consultivo, e sua secretaria tem um caráter permanente, mas sua estrutura e funções não foram esclarecidas pelo Concílio. Pelo geral, ele se reúne uma vez a cada dois anos. O próximo sínodo será "extraordinário", abordará o tema da pastoral familiar e se reunirá em outubro de 2014.

O consistório – alto órgão consultivo do Papa, ao qual só podem assistir cardeais – é pouco utilizado e só se reúne para conhecer as nomeações de novos cardeais designados pelo Papa, propor causas de beatificação e canonização e – surpreendentemente, no último – para anunciar a renúncia de Bento XVI ao papado.

Suas funções tampouco são especificadas, ainda que historicamente foi uma espécie de senado. O consistório reúne os cardeais que estão em Roma atualmente. Realmente, hoje é um organismo formal que anota o que o Papa decidiu anunciar solenemente.

Não se sabe o que o Papa Francisco pretende fazer, sendo ele um homem de ação e decisão. O próximo consistório, com nomeações de cardeais, se reunirá em fevereiro de 2014, e nele o Papa poderá criar pelo menos 14 cardeais, para cobrir as vagas produzidas por motivos de idade entre os 120 cardeais eleitores de um papa no conclave.

Em Roma, escreveu-se em diversas ocasiões que tanto o sínodo como o consistório são órgãos consultivos do Papa nos quais a Igreja Católica vive a colegialidade entre o Papa e os sucessores dos apóstolos, os bispos. No entanto, ao mesmo tempo, destacou-se que são organismos que ajudam o Papa e a Igreja a ter uma maior conexão e compreensão, mais factível hoje com o uso das tecnologias da informação.

Mas isso não questiona em absoluto a primazia do Papa, sucessor de São Pedro, pois, como estabelece o Concílio (Lumen Gentium, cap. III), a estrutura da Igreja é "hierarquizada", ainda que se trate de uma hierarquia de serviço. A autoridade do Papa, portanto, não se questiona.

O serviço da mulher

Quanto aos serviços que a mulher pode prestar à Igreja, o Papa Francisco já mencionou vários aspectos ao respeito. Em primeiro lugar, as mulheres precisam ter um papel mais relevante e oferecer muito mais da sua feminilidade, que é preciso desenvolver e colocar mais claramente ao serviço da Igreja.

Há muitos ofícios para os quais não se requer ser bispo nem sacerdote para dirigi-los, como os meios de comunicação da Igreja, tanto de Roma como nas dioceses. E se uma mulher dirigisse o L'Osservatore Romano ou a sala de imprensa da Santa Sé? Não é preciso nem ser religiosa. Em Roma, pode haver mulheres em organismos do Estado do Vaticano, como a biblioteca vaticana, entre outros.

Este será um tema discutido quando chegar a hora de decidir sobre a participação da mulher na vida da Igreja. O Papa Francisco propôs aprofundar também na teologia sobre a mulher. Terá dito isso como passo prévio? Não se sabe.

Nesta linha de reformar, cabe englobar o papel dos tribunais eclesiásticos, em particular os que tratam de assuntos matrimoniais, como o Tribunal da Rota, agilizando os procedimentos das causas que se apresentam sobre a nulidade dos matrimônios, e ao mesmo tempo unificando as doutrinas jurídicas, canônicas.

Protegidas, então, a autoridade do Papa, a unidade da fé e a disciplina geral, serão feitas as reformas pertinentes para descentralizar a tomada de decisões, e ninguém como um Papa argentino, "vindo do outro canto do mundo", poderia organizar uma reforma de tais dimensões.

Paulo VI, na primeira reforma pós-conciliar, tinha o gravíssimo problema de manter a unidade da Igreja com Roma diante dos casos de centrifugação, como a Fraternidade Pio X, de Marcel Lefebvre, qualificado como "herético" pelo Concílio, ou o Catecismo Holandês, que foi mais longe que o Vaticano II e cujas teorias estavam em claro contraste com a doutrina do Concílio e do Papa.

João Paulo II e Bento XVI levaram a cabo um esforço em prol de uma maior coesão interna na Igreja, especialmente no âmbito doutrinal; e agora, com o Papa Francisco, chega o momento da consolidação, não da doutrina, mas das formas de governo e das estruturas da Igreja, para adaptá-las à missão que a Igreja tem no mundo, uma missão baseada no serviço e na qual a autoridade é precisamente isso: serviço.

Quantas pessoas trabalham no Vaticano?

O Papa Francisco também pretende reduzir os órgãos e funcionários do Vaticano, ainda que o cardeal Rodríguez Maradiaga tenha anunciado que haverá uma congregação específica para os leigos. A respeito disso, contam em Roma que, certa vez, um chefe de Estado que visitou o Papa João XXIII lhe perguntou quantas pessoas trabalhavam no Vaticano, e o bom Roncalli respondeu: "A metade dos que estão aqui".

É evidente que o Vaticano e a Santa Sé devem se reger também por critérios modernos na gestão dos assuntos próprios e específicos, com a discrição necessária para administrar temas de ordem espiritual.


Finalmente, alguns se perguntam se haverá mudança de mentalidade naqueles que trabalham na cúria, porque, mais do que de estruturas, a reforma implica em uma mentalidade de serviço. E uma mentalidade não é criada por decreto, mas com o tempo.

FONTE: Aleteia

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

HOMENAGEM A ROBERTO MOURA, QUE SEGUIU PARA DEUS



MUITAS LÁGRIMAS...

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Essa saudade será da vida, da caminhada, da amizade, do respeito,  enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre... E hoje tivemos essa certeza... Quantos amigos, quantas lágrimas, quantos aplausos e quanta saudade...Muitas lágrimas...

Mas, em breve cada um vai para o seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... Nos e-mails trocados... Nos acenos... Nos tchau...

Um dia os filhos e os filhos dos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem é? Onde está? Diremos era o filho, o irmão, o pai, o avô, o amigo. E... Isso vai doer tanto!!! E muitos dirão meu amigo, foi com você que vivi os melhores anos de minha vida! As nossas melhores histórias!!!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquela voz novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... Reuniremos-nos para um último adeus a um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Por fim, nos perderemos no tempo, por isso, não deixemos que a vida passe em branco. Como disse Vinicius de Moraes  “poderíamos suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os nossos amores... mas enlouqueceria se morressem todos os nossos amigos!!!

Autoria – Hilda Pereira


terça-feira, 5 de novembro de 2013

A VIDA COMEÇA COM AQUELE "PEQUENO POLEGAR" QUE UM DIA FOMOS.

Diante das novas leis sobre o aborto, o geneticista Jérôme Lejeune nos conduz às primeiras fases da nossa vida.


O governo espanhol pretende reformar a lei do aborto antes do final do ano. Um dos parlamentares propôs recentemente que se mostre uma radiografia às mães que desejem abortar; tal proposta acendeu novamente o debate entre os pró-vida e os pró-aborto.
Em outras latitudes, o presidente Correa ameaçou renunciar antes de aprovar uma lei a favor do aborto no Equador. Uma fratura parecida sobre o reconhecimento da vida humana se dá também no Brasil e em outros países sul-americanos, cujas posturas pró-vida foram se enfraquecendo devido aos movimentos a favor do aborto.

Na velha Europa, é urgente uma pedagogia capilar para valorizar a existência desde o momento da concepção, já que as atitudes a favor da interrupção da gravidez são maioria, na legislação e na opinião pública, devido à mídia.

Esta necessária pedagogia foi exercida incansavelmente pelo geneticista Jérôme Lejeune, falecido em 1994, quem viajou pelo mundo inteiro para expor e provar cientificamente que o que estava em jogo era o reconhecimento prístino da vida humana.

Ele afirmou: "Cada um de nós tem um momento preciso no qual começa. É o momento em que toda a necessária e suficiente informação genética é recolhida dentro de uma célula, o óvulo fecundado, e este é o momento da fecundação. Sabemos que esta informação está escrita em um tipo de fita que chamamos de DNA. A vida está escrita em uma linguagem fantasticamente miniaturizada".

O Nobel e seu materialismo.

Descobridor do cromossomo que provocada a síndrome de Down e responsável por outras descobertas sobre o efeito da radiologia nas células humanas, o Prêmio Nobel foi negado a Lejeune devido à sua postura contrária ao aborto, já que ele acusou a Organização Mundial da Saúde de trair sua essência, porque era "uma instituição para a saúde que se transformou em uma instituição para a morte".

Aos que o criticavam por misturar seu catolicismo com a ciência, ele dizia ser "o mais materialista que poderia existir. Por quê? Porque sabemos com certeza que toda a informação que definirá um indivíduo, que lhe ditará não somente seu desenvolvimento, mas também sua conduta futura, sabemos que todas estas características estão escritas na primeira célula. E sabemos isso com uma certeza que vai muito além de toda dúvida razoável, porque, se esta informação não estivesse já completa desde o princípio, não poderia existir; porque nenhum tipo de informação entra em um óvulo depois da sua fecundação".

Para quem lida cotidianamente com esse início da vida, não pode haver controvérsia de nenhum tipo; Lejeune considerava anticientíficos os que defendiam a "ideologia do pré-embrião" para negar-lhe valor constitutivo. Neste sentido, afirmou que "a genética moderna se resume em um credo elementar, que é este: no princípio há uma mensagem; esta mensagem está na vida e esta mensagem é a vida".

Com um milímetro, ele já interrompe a menstruação.

Boa parte do pensamento de Lejeune foi condensada por uma de suas filhas, em um livro editado há vários anos, no qual se enfatiza que o óvulo fecundado já tem sua própria individualidade e é capaz de dar ordens ao organismo da sua mãe.

Incansável em sua defesa da vida, Lejeune desenvolveu sua criatividade para expor seu conhecimento, de diversas formas, diante de uma opinião pública influenciada cada vez mais pelas ideologias que negam as evidências. Assim, ele comentava, por exemplo, o que um embrião faz no sexto ou sétimo dia: "Com somente um milímetro de tamanho, ele já começa a comandar as operações. É ele, e só ele, quem interrompe a menstruação da mãe, produzindo uma nova substância, que obriga o corpo lúteo do ovário a trabalhar".

Um contínuo de ser humano

Declarar que o embrião é um ser vivo, mas não um ser humano, é sintoma de uma posição ideológica presente em muitas esferas políticas. Alguns por serem progressistas, outros por "respeitar a liberdade" de escolha das mulheres (como se o feto fosse uma propriedade delas), defendem o absurdo e o assassinato.

Tais pessoas não querem enxergar o que está em jogo, por mais milimétrico que seja. Lejeune disse que, "quinze dias depois do atraso da menstruação, ou seja, à idade real de um mês, o ser humano mede 4,5 milímetros. Seu minúsculo coração já bate há uma semana; seus braços, pernas, cabeça e cérebro já estão se formando".

Já não há dúvida de que o que cresce no útero materno é um ser humano, e não um polvo ou um repolho. E isso vai se tornando mais evidente ao longo das semanas, já que, "aos dois meses, da cabeça até o bumbum, ele mede cerca de três centímetros; encolhido, caberia em uma casca de noz; seria invisível no interior de um punho fechado, e esse punho o esmagaria sem querer, sem que percebêssemos".

Lejeune continua: "Mas abram a mão: ele está quase terminado: mãos, pés, órgãos, cérebro. Tudo está em seu lugar, e agora só lhe resta crescer. Observem mais de perto, com um microscópio comum, e poderão ver suas digitais. Ele já tem todo o necessário para poder fazer sua carteira de identidade".

Um "Pequeno Polegar" real

Cada passo confirma a identidade genuína do embrião frente a outros indivíduos. Assim, caem por terra os argumentos não científicos segundo os quais o feto não está formado plenamente. Aos que afirmam que até os cinco ou seis meses o cérebro está inconcluso, Lejeune esclarece: "O cérebro só estará completamente em seu lugar no momento do nascimento; suas conexões só estarão completamente estabelecidas depois dos seis ou sete anos de idade; e seu equipamento químico e elétrico só estará realmente pronto lá pelos catorze ou quinze".

Em resumo, o que está em jogo não são ideias religiosas ou posturas reacionárias contra as mulheres, mas sim o fato – fato! – de que esse "incrível Pequeno Polegar, o homem menor que um polegar, existe de verdade; não se trata do Pequeno Polegar das historinhas, mas daquele que todos nós fomos um dia".

FONTE:http://www.aleteia.org/pt/saude/artigo/a-vida-comeca-com-aquele-pequeno-polegar-que-um-dia-fomos-11084001?


domingo, 3 de novembro de 2013

A POTIGUAR KHRYSTAL - NO THE VOICE BRASIL


A criança pobre que dormiu nas ruas da Cidade Alta, morou em albergues na adolescência e pediu oportunidade a Pedro Abech para estrear sua voz no palco do seu bar em 2002, no Beco da Lama, é a terceira natalense aprovada no The Voice Brasil, já no quinto e último dia de audições às cegas do programa.

A potiguar de 32 anos interpretou ‘Morô?’, de sua autoria. Carlinhos Brown, Daniel e Cláudia Leitte apertaram o botão e viraram a cadeira para a participante. “Esse momento é muito importante pra você, meu bem”, diz Lulu Santos.

Ao fim de sua apresentação, Brown brincou com Khrystal. “O cristal ilumina, reluz”, disse o técnico. A potiguar começa a chorar de emoção. “Deixe a emoção percorrer você”, diz Lulu Santos. Brown continua brincando. “Khrystal e Natal têm uma rima fantástica, assim como Brown e Khrystal. Você pode escolher quem você quiser, que estará em boas mãos”. “Eu vou ficar com tu, Brown”, diz a cantora.

Início no Beco da Lama

Khrystal tocava violão antes de cantar. Acompanhava músicos no Abech Pub, na Cidade Alta. Anos de 1998 e 1999. Nos intervalos, ocupava o microfone para soltar a voz. Pedro Abech se rendeu à pequena morena e abriu espaço para suas apresentações solo. Outros convites vieram. Em 2004, Khrystal conheceu o produtor Zé Dias e o trabalho se tornou mais profissional e visível.

Em 2007 veio o primeiro álbum, Coisa de Preto, com repertório regional e basicamente de interpretações. Por essa época, montou, junto a Simona Talma, Luiz Gadelha, Valéria Oliveira e Ângela Castro, o Projeto Retrovisor. O projeto rendeu visibilidade para todos os integrantes e, na parceria com outros talentos, a exemplo de Luiz Gadelha e Valéria Oliveira, a veia de compositora de Khrystal aflorou.

Após a turnê O Trem, composta por clássicos da MPB e do baião e que rodou o Nordeste e palcos do Sudeste, Khrystal lança seu segundo álbum, Dois Tempos, praticamente construído com músicas de sua autoria, em parcerias com Ricardo Baya, Valéria Oliveira, Luiz Gadelha e Zé Fontes. Pela segunda vez o disco recebe elogios de Tárik de Souza e outros jornalistas da área musical do Sul e Sudeste.

A “Khrystalina” também está prestes a concluir sua participação no filme A Luneta do Tempo. O longa é dirigido por Alceu Valença e Khrystal, convidada pelo próprio, interpreta o papel de uma das cangaceiras do bando de Lampião.

Ainda este mês, Khrystal foi escolhida pelo júri popular a Artista do Ano, pelo Prêmio Hangar de Música. A solenidade de entrega da premiação aconteceu no Teatro Riachuelo, com presença, entre tantos artistas, da vencedora da única edição do The Voice, a brasiliense Ellen Oléria, e do baiano Pepeu Gomes.


FONTE:  Jean Souza / Portal no Ar

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

PENSE NISSO...


Do encéfalo e somente do encéfalo, vêm a alegria, o prazer, o riso, a
diversão, sentimentos bons, mas,
vem também o pesar, o ressentimento, o desânimo, a lamentação.
-E assim adquirimos a sabedoria e o conhecimento, aprendemos, diferenciamos, vemos e ouvimos.
-É por ele e só por ele que, que somos loucos, temos medos, tudo é suportável, vem do encéfalo
quando não está são.
-Aprendamos, é o encéfalo que exerce o poder maior sobre nós.
-
                                                           Adaptado do texto de Hipócrates –
                                                    Acerca das Doenças Sagradas, séc. IX a. C.

QUEM TERÁ ESCUTADO AS LIGAÇÕES TELEFÔNICAS DO PAPA FRANCISCO?


Reflexão sobre a tranquila resposta do porta-voz vaticano, Pe. Federico Lombardi.


A revista italiana "Panorama" revelou que, entre os alvos da espionagem da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA), também estava o Vaticano. A quase despreocupada resposta do Pe. Federico Lombardi diante da pergunta dos jornalistas foi: "Não temos informações sobre este tema, mas, de qualquer maneira, também não temos preocupação alguma a respeito disso". Interessante contraste com a irritada resposta de Angela Merkel, ao saber que suas conversas privadas haviam sido espionadas.

O Vaticano não é consciente da gravidade do escândalo? Certamente sim, depois da dor produzida pelo vazamento de informações conhecido como "Vatileaks", no qual documentos privados desapareceram do escritório papal. Mas, nesse caso, o foco era a preocupante sensação de ter um espião dentro de casa, uma pessoa aparentemente fiel que agia nas sombras, por motivos inconfessáveis.

A "limpeza" iniciada por Bento XVI – e que continua com seu sucessor – nos organismos financeiros da Santa Sé leva a pensar que, realmente, se houvesse alguma informação secreta de cunho econômico revelada pelas escutas telefônicas, o próprio Papa Francisco ficaria feliz em saber.

Por outro lado, que o Vaticano não escape das escutas das agências de inteligência das grandes potências, era de se esperar, dada a intensa atividade diplomática da Santa Sé. São muitos os chefes de Estado e muitas as questões delicadas que passam pelas mãos do Papa, tanto de Francisco como dos seus antecessores.

Mas também é verdade que a reserva vaticana tem a ver com a prudência, e não com os interesses econômicos ou geoestratégicos. O Vaticano é um protagonista político de primeira ordem, mas como uma instância moral que ajusta as relações entre os países. Ele não tem nada a ganhar com isso. No máximo, conseguirá a proteção das minorias cristãs e dos bens da Igreja nos países em conflito, mas estes não seriam motivos inconfessáveis.

Parte das escutas realizadas, segundo revela o "Panorama", ocorreu durante a realização do conclave do qual o Papa Francisco saiu eleito. Dadas as enormes medidas de segurança que a Santa Sé desenvolve para manter o sigilo durante um conclave, caberia esperar um pouco de preocupação nas altas esferas vaticanas. Mas não foi isso que aconteceu.
O impenetrável sigilo que permeia a eleição de um papa foi concebido, antes de tudo, para evitar a entrada de informação, mais do que a saída: ou seja, o que se busca é evitar as pressões externas sobre os cardeais eleitores, de maneira que ninguém de fora possa condicionar um momento tão delicado. O problema mais grave não são as escutas, mas as interferências.
Resta, finalmente, a ironia de que surja o tema das escutas precisamente com o Papa mais "telefônico" que já passou pelo Vaticano. Seria muito divertido escutar as gravações do Papa Francisco ligando para aquela mãe solteira ou para o dentista argentino.

Para um Papa que decidiu fazer-se ouvir pelas pessoas "de fora", saber agora que os técnicos das agências de inteligência também estavam atentos pode até tê-lo feito pensar que a Providência tem caminhos inesperados para levar a Boa Notícia da salvação da humanidade.

http://www.aleteia.org/pt/mundo/artigo/quem-tera-escutado-as-ligacoes-telefonicas-do-papa-francisco-10464001?