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segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O PAPA FRANCISCO E OS EVANGÉLICOS

A reforma planejada pelo papa é maior e mais profunda do que se imaginava


No início deste ano, o papa Francisco se encontrou com um velho conhecido chamado Tony Palmer. Ele era um sul-africano que vivia na Inglaterra, casado com uma italiana católica, e morreu tragicamente num acidente de moto na semana passada.

Tony Palmer conheceu Bergoglio quando era missionário na Argentina. Ele se apresentava como "bispo anglicano", mas não era bispo da Igreja da Inglaterra propriamente dita. É mais correto dizer que ele era bispo na "tradição anglicana". Membro de um novo movimento da Igreja evangélica que valoriza a tradição, a adoração carismática e o zelo evangélico, Palmer era um bom representante do movimento cristão que tem sido chamado de "Igreja de convergência".

A "Igreja de convergência" pode ser descrita como uma “Igreja paralela” que é carismática, evangélica e católica. Em outras palavras, seus adeptos abraçam e endossam o melhor dessas três tradições cristãs. Sem uma estrutura organizada e sem a burocracia de uma confissão institucional, os membros da “Igreja de convergência” se movem entre fronteiras confessionais, nacionais e tradicionais. Formando alianças com cristãos simpatizantes de muitas denominações, eles são, no geral, pessoas brilhantes, zelosas, positivas e proativas no ministério cristão.
Com ênfase numa mensagem simples do evangelho, eles também apreciam o culto litúrgico, a prática dos dons do Espírito Santo e um profundo amor pelas Sagradas Escrituras. Os cristãos da “Igreja de convergência” têm como objetivo pregar e viver um cristianismo radical básico.

Se quisermos entender melhor o papa Francisco como reformador, é o apreço dele por esta nova geração de evangélicos que pode lançar mais luz sobre os objetivos do seu papado e sobre ele próprio como pessoa. É interessante observar que o papa tem mantido relações cordiais com os líderes das denominações protestantes tradicionais, como Justin Welby, arcebispo de Canterbury, mas, quando se reúne com seus amigos evangélicos, ele os convida para o café-da-manhã ou para o almoço e passa horas conversando, rindo e desfrutando da comunhão com eles.

Quem vê o papa Francisco como reformador deve enxergar nas suas relações com os evangélicos o coração da sua reforma. Não é uma simples tentativa de limpar o chamado “banco do Vaticano” ou de varrer os pedófilos para fora da Igreja. Não é o simples simbolismo de morar na Casa Santa Marta, almoçar no refeitório junto com todos e andar num carro modesto. A reforma que ele planeja é muito mais radical do que isso. Ele quer que os católicos sigam Jesus Cristo de maneira radical, alegre e capaz de fazer a terra tremer.

O apreço de Francisco pelos evangélicos é, portanto, mais do que uma tentativa cordial de chegar até os cristãos que sempre foram marginalizados pela Igreja católica e que, verdade seja dita, têm sido, no geral, duramente anticatólicos. Seu apreço pelos evangélicos é mais do que uma tentativa de conter a onda de católicos que migram para as igrejas carismáticas do mundo todo. Francisco os admira de fato e, em muitos aspectos, quer que os católicos sejam mais parecidos com eles.

Isso quer dizer que os católicos têm que bater mais palmas nos louvores, falar em línguas e abraçar um calvinismo aguado e utilitarista? Quer dizer que Francisco quer “protestantizar” a Igreja católica? De maneira nenhuma. Eu acho que ele quer que os católicos sejam não exatamente mais protestantes, e sim mais católicos mesmo. Em outras palavras: ele quer que os católicos resgatem o zelo e a paixão dos santos e dos mártires. Ele quer que os católicos reaprendam a vida simples dos apóstolos e sejam alegres nos níveis mais elementares da fé: vivendo uma vida cheia do Espírito Santo na relação do dia-a-dia com Jesus Cristo.

A amizade do papa Francisco com os evangélicos dá também um rumo empolgante e inovador ao ecumenismo. Eu acredito que Francisco percebe que a união com as igrejas protestantes é uma causa perdida. Ele sabe que os anglicanos e outras igrejas do protestantismo estão trilhando um caminho divergente do catolicismo e que, quando dois caminhos divergem, eles só podem se distanciar cada vez mais. Encerradas num compromisso com a teologia reducionista, numa agenda progressista igualitária e num relativismo radical, essas igrejas são parceiras ecumênicas incertas e imprevisíveis.
Os carismáticos evangélicos, por outro lado, com toda a sua postura histórica anticatólica, realmente acreditam na fé cristã histórica. Eles acreditam na Bíblia, no essencial do credo e que Jesus está vivo no mundo de hoje através do poder do Espírito Santo. Eles podem ser um tanto “extremos”, mas Francisco percebe que o mundo precisa de uma forma radical de cristianismo. Ele também percebe que os extremos estão muitas vezes mais próximos um do outro do que as versões diluídas da fé.


Francisco, assim, concordaria com o escritor C.S. Lewis, que, quando perguntado sobre a reunificação da Igreja, respondeu: "Parece-me que os elementos ‘extremos’ em cada igreja estão mais próximos um do outro e que as pessoas liberais em cada corpo não poderão nunca se unir. O mundo do cristianismo dogmático é um lugar em que milhares de pessoas muito diferentes entre si continuam dizendo a mesma coisa. E o mundo de ‘mente aberta’ ou de cristianismo ‘aguado’ é um mundo em que um pequeno grupo de pessoas, todas do mesmo tipo, dizem coisas totalmente diferentes e mudam de ideia a cada poucos minutos. Deles, nós jamais obteremos a unidade”.

Fonte: Aleteia

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Ariano Suassuna - Um intelectual além do seu tempo


Ariano Vilar Suassuna, que agoniza na UTI no hospital Português, é, sem dúvida, um dos maiores escritores do País, um intelectual refinado, preso às suas origens, de sotaque forte, mas talento reconhecido internacionalmente. Desde a infância vive no meio político e intelectual, embora nunca tenha exercido a atividade partidária nem se encantado pelo poder.

Um homem autêntico, de personalidade forte, agarrado as suas raízes sertanejas como nenhum outro ser humano que nasceu nessas bandas de cá. O Mestre berrou para o mundo em Nossa Senhora das Neves, hoje João Pessoa (PB), no dia 16 de junho de 1927, filho de Cássia Vilar e João Suassuna.

No ano seguinte, seu pai deixa o Governo da Paraíba e a família passa a morar no Sertão, na Fazenda Acauã, em Aparecida, Paraíba. Com a Revolução de 1930, seu pai foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937.

Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.

A partir de 1942 passou a viver no Recife, onde terminou, em 1945, os estudos secundários. No ano seguinte iniciou a Faculdade de Direito, onde conheceu Hermilo Borba Filho. E, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol.

Em 1948, sua peça Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte. Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz.

Para curar-se de uma doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá. Lá escreveu e montou a peça Torturas de um Coração em 1951. Em 1952, volta a residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral.

São desta época O Castigo da Soberba (1953), O Rico Avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955), peça que o projetou em todo o País e que seria considerada, em 1962, “o texto mais popular do moderno teatro brasileiro”. 

Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, em Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Na vida pública, atendeu à convocação do amigo Miguel Arraes e assumiu a Secretaria de Cultura (1994-1998).

Em 2002, Ariano Suassuna foi tema de enredo no carnaval carioca na escola de samba Império Serrano; em 2008, foi novamente tema de enredo, desta vez da escola de samba Mancha Verde no carnaval paulista. Em 2013 sua mais famosa obra, o Auto da Compadecida foi o tema da escola de samba Pérola Negra em São Paulo. 


Fonte: http://www.blogdomagno.com.br/Recife-Pe

sexta-feira, 18 de julho de 2014

quinta-feira, 17 de julho de 2014

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FESTA DE SANT'ANA DE CURRAIS NOVOS 2014


Tradição
 Há 206 anos, a Festa de Sant’Ana em Currais Novos é o momento onde católicos de toda a cidade e devotos da padroeira do sertão do Seridó, se reúnem para agradecer as bênçãos e celebrar a vida, além de ser um grande ato de fé e devoção à avó de Jesus (segundo a tradição católica).

Ontem, quarta-feira (16) foi aberta oficialmente a programação da festa com a procissão do estandarte de Sant’ Ana entre as Praças Cristo Rei e Tomaz Salustino com participação da banda Maestro Santa Rosa, padres, o bispo D. Antônio Carlos  e a população.

O hasteamento das bandeiras do município, do vaticano e da paróquia, como sinal de festa por 10 dias na nossa cidade.

A missa de abertura foi celebrada por  Dom Antônio Carlos, e foi celebrado o Jubileu de Prata,  de ordenação presbiteral do Padre Henock Demétrio da Silva.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

ROSTO DE SANTO ANTÔNIO É 'RECRIADO' POR BRASILEIROS E EXPOSTO NA ITÁLIA

Trabalho foi realizado após análise do crânio real do santo.  Imagem foi recriada por meio da impressão em três dimensões.



A face de um santo transformou-se, por meio de uma análise do seu crânio, em uma imagem do que seria exatamente o rosto deste homem. A imagem de Santo Antônio foi recriada por profissionais brasileiros por meio da impressão em três dimensões e, atualmente, está exposta na cidade de Pádua, na Itália.

O trabalho foi desenvolvido pelo especialista em odontologia e antropologia forense Paulo Miamoto e pelo designer Cicero Moraes. O projeto nasceu em parceria com pesquisadores italianos. “Existe um grupo de arqueólogos na Itália em colaboração com o museu de Antropologia de Pádua, que é onde está sepultado Santo Antônio. Essas instituições realizaram o processo de digitalização do crânio que estava sepultado lá, a partir de fotografias digitais. Com as fotografias do crânio isso foi transformado em um objeto virtual em 3D e enviado da Itália ao Brasil”, afirma Miamoto.

Para não influenciar no trabalho dos brasileiros, não foi revelada a identidade do personagem que eles iriam materializar. “Esse crânio veio com algumas informações básicas apenas. Eles nos disseram que se tratava de um homem com idade aproximada de 36 anos e com ancestralidade europeia, uma pessoa branca. Apenas seguindo os protocolos científicos, essa parte básica da reconstrução da face foi feita. Quando essa parte da modelagem da face estava concluída, nós enviamos de volta para a Itália e eles revelaram que era o crânio de Santo Antônio. Ficamos muito surpresos”, explica o dentista.

A parte das instituições brasileiras foi realizar a impressão em 3D. O busto reconstruído foi materializado fisicamente por meio desta impressão. “A partir disso, essa reconstrução passou a ser caracterizada com o corte de cabelo, que era a ordem dos franciscanos da época. Essa impressão a cores ainda passou pelo retoque de uma artista chamada Mari Bueno, que trabalha com arte sacra. As cores foram realçadas, os olhos ganharam mais vida, então esse busto foi levado para a Itália para as comemorações do dia de Santo Antônio. Esse resultado foi muito bem aceito. O pessoal da igreja Católica gostou bastante”, diz Paulo.

A imagem pronta revela um Santo Antônio diferente do homem com traços finos e delicados que os fiéis costumam venerar. “Ele não tem aquele rosto fino, quase angelical. É um homem com feições mais rústicas, o nariz é um pouco maior, bem afiado e arrebitado, uma característica de um homem que tem uma miscigenação. Ele nasceu em Lisboa, que na época tinha passado por uma ocupação árabe, e isso refletiu nas características do crânio dele. É uma face mais larga. A caracterização não foi aleatória. É baseada em artigos científicos”, explica Miamoto.


A face de Santo Antônio foi revelada em uma coletiva de imprensa na Itália. Nos 10 primeiros dias de exposição, o rosto foi visto por mais de 10 mil visitantes. “A gente não quer mexer com a fé das pessoas. Não buscamos contradizer qualquer informação que a igreja católica prega, mas buscamos sim a humanização dessa figura histórica e, dessa maneira, traz para mais perto dos fiéis ele como ser humano. E isso traz a tona novamente todos os ensinamentos que Santo Antônio deixou para a humanidade”, finaliza.
Ebrafol – Equipe Brasileira de Antropologia Forense e Odontologia Legal

Paulo Miamoto explica que a tecnologia de digitalizar objetos e locais tem sido muito útil. Ele começou a vislumbrar novas aplicações dessa mesma tecnologia para outras finalidades. “Estamos começando a aplicar isso para fazer perícias. Em Santos, nós estamos iniciando uma organização não governamental em que vamos disponibilizar essa tecnologia para os interessados da nossa região”, diz.

Segundo Miamoto, o objetivo é utilizar as tecnologias abertas e aplicá-las para a promoção de direitos humanos. “Estamos nos disponibilizando com uma nova alternativa para perícias odontológicas, usando tecnologia aberta e uma unidade de perícia independente e autônoma. A ideia não é substituir o IML, mas sim trabalhar em colaborações. A nossa expectativa é deixar disponível para vários órgãos que operam o Direito, como defensores, promotores, delegados, advogados e magistrados. Algo que de fato possa ajudar no esclarecimento de crimes ou até de pessoas desaparecidas”, explica.


Imagem revela rosto de Santo Antônio com traços mais rústicos (Foto: Creative Commons / Wikimedia)

O PAPA REVOLUCIONÁRIO

“Para mim, a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que têm a dizer no dia a dia”, Papa Francisco.


“Era um tipo bom, fez o que pode, não foi tão ruim”, assim o Papa Francisco respondeu a última pergunta: “Como gostaria de ser lembrado?”, feita em uma longa entrevista do jornal espanhol La Vanguardia.

Durante a entrevista o Papa revelou: “os cristãos perseguidos são um problema que me toca como pastor”. Disse que estava convencido de que “a perseguição aos cristãos hoje é mais forte que nos primeiros séculos da Igreja. Não é uma fantasia, os números comprovam”.

O jornalista que entrevistou o Papa ressaltou a oração pela paz realizada no último dia 8 de junho, no Vaticano. “Não foi uma atitude política, mas religiosa: a abertura de uma janela para o mundo”, disse Francisco. E quando fala da violência em nome de Deus ressalta: “É uma contradição que também nós cristãos às vezes temos praticado”, e prossegue: “as três religiões monoteístas têm no seu interior grupos fundamentalistas, mesmo sendo pequenos. A mentalidade do fundamentalismo é violência em nome de Deus”.

Algumas pessoas dizem que o Papa é um revolucionário, comenta o jornalista do jornal espanhol. “Para mim, a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que têm a dizer no dia a dia”, respondeu o Papa.

A pobreza e a humildade na Igreja. Quando toca nesse assunto, instigando por que, para o Papa, isso é importante, ele responde: “A pobreza e a humildade são o coração do Evangelho. Não se pode compreender o Evangelho sem a pobreza, que deve ser distinguida da miséria. Creio que Jesus queria que os seus bispos fossem servidores. Quando vejo imagens de crianças desnutridas em várias partes do mundo, penso que não estamos em um bom sistema econômico global. É demonstrado que com os avanços podemos nutrir as pessoas que sofrem de fome. No coração de cada sistema econômico deve estar o ser humano. Mas pelo contrário, colocaram o dinheiro ao centro de tudo. Caíram no pecado da idolatria, da idolatria do dinheiro. A economia se move com o desejo de ter sempre mais e, para conseguir, gerou a cultura do desperdício”.

Se o assunto muda para a famosa renúncia de Bento XVI: “Fez um grande gesto. Abriu uma porta, criou uma instituição”, disse Francisco. O jornalista do jornal espanhol comentou que hoje em dia se vive mais, muitas vezes de chegar a uma idade onde não conseguimos mais ir adiante nos afazeres como queremos. “Peço ao Senhor que me ilumine quando chegar para mim este momento”, respondeu o Papa.

A entrevista foi encerrada falando da Copa do Mundo. “Sei que não posso perguntar para quem o senhor vai torcer”, disse o jornalista. “Os brasileiros me pediram neutralidade (sorriu), cumpro minhas palavras porque Brasil e Argentina sempre foram equipes antagônicas”, respondeu o Papa.

Para finalizar, uma pergunta: Como gostaria de ser lembrado na história?
“Não pensei, mas gosto quando uma pessoa recorda de alguém e diz ‘era um tipo bom, fez o que pode, não foi tão ruim’, com isso me conformo”.


sources: Aleteia