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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA

O convite aos cristãos para testemunharem sua fé por meio da convivência comunitária é feito pelo papa Francisco em sua mensagem para o Quaresma 2014, que terá início no dia 05 de março, Quarta-feira de Cinzas. O texto divulgado pelo Vaticano, nesta terça-feira, 4, apresenta algumas reflexões chamadas pelo de “caminho pessoal e comunitário de conversão”.



“O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança”, disse o papa Francisco. Confira a íntegra da mensagem:
Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Cor 8, 9)

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião da Quaresma, ofereço-vos algumas reflexões com a esperança de que possam servir para o caminho pessoal e comunitário de conversão. Como motivo inspirador tomei a seguinte frase de São Paulo: «Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, Se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza» (2 Cor 8, 9). O Apóstolo escreve aos cristãos de Corinto encorajando-os a serem generosos na ajuda aos fiéis de Jerusalém que passam necessidade. A nós, cristãos de hoje, que nos dizem estas palavras de São Paulo? Que nos diz, hoje, a nós, o convite à pobreza, a uma vida pobre em sentido evangélico?

A graça de Cristo
Tais palavras dizem-nos, antes de mais nada, qual é o estilo de Deus. Deus não Se revela através dos meios do poder e da riqueza do mundo, mas com os da fragilidade e da pobreza: «sendo rico, Se fez pobre por vós». Cristo, o Filho eterno de Deus, igual ao Pai em poder e glória, fez-Se pobre; desceu ao nosso meio, aproximou-Se de cada um de nós; despojou-Se, «esvaziou-Se», para Se tornar em tudo semelhante a nós (cf. Fil 2, 7; Heb 4, 15). A encarnação de Deus é um grande mistério. Mas, a razão de tudo isso é o amor divino: um amor que é graça, generosidade, desejo de proximidade, não hesitando em doar-Se e sacrificar-Se pelas suas amadas criaturas. A caridade, o amor é partilhar, em tudo, a sorte do amado. O amor torna semelhante, cria igualdade, abate os muros e as distâncias. Foi o que Deus fez connosco. Na realidade, Jesus «trabalhou com mãos humanas, pensou com uma inteligência humana, agiu com uma vontade humana, amou com um coração humano. Nascido da Virgem Maria, tornou-Se verdadeiramente um de nós, semelhante a nós em tudo, excepto no pecado» (CONC. ECUM. VAT. II, Const. past. Gaudium et spes, 22).

A finalidade de Jesus Se fazer pobre não foi a pobreza em si mesma, mas – como diz São Paulo – «para vos enriquecer com a sua pobreza». Não se trata dum jogo de palavras, duma frase sensacional. Pelo contrário, é uma síntese da lógica de Deus: a lógica do amor, a lógica da Encarnação e da Cruz. Deus não fez cair do alto a salvação sobre nós, como a esmola de quem dá parte do próprio supérfluo com piedade filantrópica. Não é assim o amor de Cristo! Quando Jesus desce às águas do Jordão e pede a João Batista para O batizar, não o faz porque tem necessidade de penitência, de conversão; mas fá-lo para se colocar no meio do povo necessitado de perdão, no meio de nós pecadores, e carregar sobre Si o peso dos nossos pecados. Este foi o caminho que Ele escolheu para nos consolar, salvar, libertar da nossa miséria. Faz impressão ouvir o Apóstolo dizer que fomos libertados, não por meio da riqueza de Cristo, mas por meio da sua pobreza. E todavia São Paulo conhece bem a «insondável riqueza de Cristo» (Ef 3, 8), «herdeiro de todas as coisas» (Heb 1, 2).

Em que consiste então esta pobreza com a qual Jesus nos liberta e torna ricos? É precisamente o seu modo de nos amar, o seu aproximar-Se de nós como fez o Bom Samaritano com o homem abandonado meio morto na berma da estrada (cf. Lc 10, 25-37). Aquilo que nos dá verdadeira liberdade, verdadeira salvação e verdadeira felicidade é o seu amor de compaixão, de ternura e de partilha. A pobreza de Cristo, que nos enriquece, é Ele fazer-Se carne, tomar sobre Si as nossas fraquezas, os nossos pecados, comunicando-nos a misericórdia infinita de Deus. A pobreza de Cristo é a maior riqueza: Jesus é rico de confiança ilimitada em Deus Pai, confiando-Se a Ele em todo o momento, procurando sempre e apenas a sua vontade e a sua glória. É rico como o é uma criança que se sente amada e ama os seus pais, não duvidando um momento sequer do seu amor e da sua ternura. A riqueza de Jesus é Ele ser o Filho: a sua relação única com o Pai é a prerrogativa soberana deste Messias pobre. Quando Jesus nos convida a tomar sobre nós o seu «jugo suave» (cf. Mt 11, 30), convida-nos a enriquecer-nos com esta sua «rica pobreza» e «pobre riqueza», a partilhar com Ele o seu Espírito filial e fraterno, a tornar-nos filhos no Filho, irmãos no Irmão Primogénito (cf. Rm 8, 29).

Foi dito que a única verdadeira tristeza é não ser santos (Léon Bloy); poder-se-ia dizer também que só há uma verdadeira miséria: é não viver como filhos de Deus e irmãos de Cristo.

O nosso testemunho
Poderíamos pensar que este «caminho» da pobreza fora o de Jesus, mas não o nosso: nós, que viemos depois d'Ele, podemos salvar o mundo com meios humanos adequados. Isto não é verdade. Em cada época e lugar, Deus continua a salvar os homens e o mundo por meio da pobreza de Cristo, que Se faz pobre nos Sacramentos, na Palavra e na sua Igreja, que é um povo de pobres. A riqueza de Deus não pode passar através da nossa riqueza, mas sempre e apenas através da nossa pobreza, pessoal e comunitária, animada pelo Espírito de Cristo.

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiênicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade. Nos pobres e nos últimos, vemos o rosto de Cristo; amando e ajudando os pobres, amamos e servimos Cristo.

O nosso compromisso orienta-se também para fazer com que cessem no mundo as violações da dignidade humana, as discriminações e os abusos, que, em muitos casos, estão na origem da miséria. Quando o poder, o luxo e o dinheiro se tornam ídolos, acabam por se antepor à exigência duma distribuição equitativa das riquezas. Portanto, é necessário que as consciências se convertam à justiça, à igualdade, à sobriedade e à partilha.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros – frequentemente jovem – se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia! Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde. Nestes casos, a miséria moral pode-se justamente chamar um suicídio incipiente. Esta forma de miséria, que é causa também de ruína econômica, anda sempre associada com a miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus.

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todo o ambiente o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

Queridos irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar, a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói.

Pedimos a graça do Espírito Santo que nos permita ser «tidos por pobres, nós que enriquecemos a muitos; por nada tendo e, no entanto, tudo possuindo» (2 Cor 6, 10). Que Ele sustente estes nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos e agentes de misericórdia. Com estes votos, asseguro a minha oração para que cada crente e cada comunidade eclesial percorra frutuosamente o itinerário quaresmal, e peço-vos que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Vaticano, 26 de Dezembro de 2013
Festa de Santo Estêvão, diácono e protomártir.


Francisco

domingo, 26 de janeiro de 2014

BORBOLETAS (Victor e Leo)


Percebo que o tempo já não passa
Você diz que não tem graça amar assim
Foi tudo tão bonito, mas voou pro infinito
Parecido com borboletas de um jardim                                             
Agora você volta
E balança o que eu sentia por outro alguém
Dividido entre dois mundos
Sei que estou amando, mas ainda não sei quem

Não sei dizer o que mudou
Mas nada está igual
Numa noite estranha a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu

Percebo que o tempo já não passa
Você diz que não tem graça amar assim
Foi tudo tão bonito, mas voou pro infinito
Parecido com borboletas de um jardim                                           

Agora você volta
E balança o que eu sentia por outro alguém
Dividido entre dois mundos
Sei que estou amando, mas ainda não sei quem

Não sei dizer o que mudou
Mas, nada está igual
Numa noite estranha a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu

Não sei dizer o que mudou
Mas nada está igual
Numa noite estranha a gente se estranha e fica mal
Você tenta provar que tudo em nós morreu
Borboletas sempre voltam
E o seu jardim sou eu

Sempre voltam

E o seu jardim sou eu

sábado, 25 de janeiro de 2014

"A MENINA QUE ROUBAVA LIVROS": UM CANTO À HUMANIDADE

                  Reflexões sobre o filme baseado no livro de Markus Zusak



“A menina que roubava livros” é um filme repleto de mensagem. Está baseado no livro homônimo de Markus Zusak (2005) e reconstrói as pequenas histórias anônimas dentro da grande história conhecida.

Em meio a uma guerra cruel, dá-se um relato de humanidade verdadeira. O pano de fundo é a barbárie nazista da 2ª Guerra Mundial. As pinceladas do totalitarismo sem sentido são suficientemente sugeridas pelo ataque à dignidade da pessoa, pela sua própria existência colocada em jogo, devido à ideologia que um louco conseguiu instaurar com o incompreensível aplauso e adesão de quase toda a nação.

Também são mostrados alguns traços menores que igualmente descrevem aquela tragédia enorme que causou tantas vítimas em nome do nada mais vazio. Lá, aparece o medo, a violência, a mentira, a demagogia, a inveja, a conspiração, a fuga.

Mas, em meio a toda esta terrível descrição, diante da qual nunca nos acostumamos, surge esta pequena história que, como um imenso contraponto, é capaz de vencer a batalha contra toda esperança, porque o amor é mais forte que a morte, como afirma o livro do Cântico dos Cânticos.

Há três histórias de amor simples, cheio de verdade e ternura, dessa ternura que salvará o mundo, como dizia o grande escritor e teólogo russo Pavel Evdokmov. Em primeiro lugar, está o amor de uma família que, dentro de sua extrema precariedade, acolhe em seu pobre lar uma menina.

A ternura dos que já tiveram de desempenhar o papel de pai e mãe emprestados, ainda dentro dos seus matizes temperamentais diferentes, é uma flor que de repente confere cores ao deserto. É também o amor de duas crianças, Liesel e Rudi, que, em sua pureza sem ambiguidade, são capazes de acompanhar-se com seus sonhos e brincadeiras infantis, acima dos trágicos pesadelos dos adultos.

Finalmente, é o amor da menina protagonista, Liesel, às letras, palavras e livros, que resgata ou pega emprestados, que vai escrevendo sua própria biografia, no livro da vida inacabada. É uma constante na história dos humanos que os amigos das barbáries, da violência, são também inimigos da vida e da verdadeira cultura. Temos exemplos bem próximos.

Mas há uma cena particularmente significativa que me comoveu e que acaba sendo o grande encanto deste filme. Os soldados nazistas estão detendo um pobre homem judeu. Ele era do povo, morava naquela rua do Céu (Himmelstrasse), havia nascido lá e todos o conheciam e apreciavam.

Mas, pelo fato de ser judeu, sua condição alemã ficou manchada e os bárbaros decidiram eliminá-lo. É então que o pai de Liesel entra em ação, para defendê-lo como um simples concidadão. A agressão brutal que ele sofre por este gesto o deixa no chão, com a cabeça golpeada. Por que fizeram isso? E esta é a resposta que se dá: porque ele lhes recordou sua humanidade.

A cena é impressionante, por sua qualidade humana e ao mesmo tempo pela sua violência. Recordar à beleza, a bondade, a verdade, para as quais nascemos, pode ser revolucionária. E este é o sofrimento de tantas pessoas censuradas, perseguidas e eliminadas. Este é o sofrimento dos cristãos.

Recordar a humanidade da qual fomos feitos é uma maneira de testemunhar o Criador que nos fez sem renunciar ao destino que Ele nos deu.


(Artigo de Dom Jesús Sanz Montes, arcebispo de Oviedo, publicado originalmente por SIC)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

COMUNGAR NA MÃO É UM SACRILÉGIO?

Um leitor da Aleteia nos enviou a seguinte pergunta pelo Facebook: “Expliquem-me isso teologicamente, porque não consigo entender... São João Crisóstomo disse, o século IV, que ‘não faz sentido que o sacerdote purifique as mãos que tocarão o Senhor e que quem comunga, ou seja, o povo receba o Senhor sem lavá-las’”.


                         Apresentamos, a seguir, a resposta do nosso especialista:

Suponho que o que você não consegue entender é o que acontece com frequência hoje em dia, quando se recebe o Senhor nas mãos, e que se permita isso, apesar de um argumento tão autorizado, como o de São João Crisóstomo.

Na verdade, quando li a pergunta, achei o texto um pouco estranho: a redação está confusa e o esclarecimento (“ou seja, o povo”), parecia algo acrescentado ao texto original. Mas o próprio texto é estranho, porque esta questão não era discutida na época de João Crisóstomo.

Descobri que este não é um texto literal do santo. O texto original, que faz parte de uma homilia, é o seguinte: “Não faz sentido purificar com cuidado as mãos que podem tocar o Senhor, deixando manchada a alma que receberá totalmente o Corpo do Senhor. Quem comunga deve ter as mãos lavadas e o coração purificado”.

Como podemos ver, não se trata somente de diferenças no texto, nem sequer de que a ênfase seja colocada nas disposições interiores, mais que nas exteriores, mas sim que Crisóstomo está dando por descontado que se recebe o Senhor nas mãos.

Esta prática era assim, e continua sendo, no chamado rito melquita ou grego (seja católico ou ortodoxo), que remonta precisamente a São João Crisóstomo.

É preciso levar em consideração que a matéria da Eucaristia naquela época era o pão fermentado, não ázimo, e não eram produzidas pequenas hóstias, como hoje, para facilitar a comunhão na boca, e sim pequenas bolinhas de pão cuja administração na boca seria difícil. Em todo caso, dentro desse rito, não existe nenhum debate a respeito disso.

Receber a comunhão na mão ou na boca não é propriamente um problema teológico: nenhuma das duas opções afeta a doutrina eucarística. É uma questão de conveniência.

Pessoalmente – e sempre no âmbito do rito latino –, acho melhor receber a comunhão na boca. Mas não podemos transformar isso em um problema teológico, porque não é, nem misturar São João Crisóstomo na questão.

O que o santo dizia é que é preciso receber o Senhor dignamente, tanto no exterior como (sobretudo) no interior; e, dando por descontado que se recebia a comunhão na mão, que o digno para o sacramento é que as mãos estejam bem lavadas.

É difícil – por não dizer impossível – discordar dele.

Autoria: Julio De la Vega Hazas - ALTRO DA AUTORE  (23.01.2014)
FONTE: http://www.aleteia.org/pt/religiao/artigo/comungar-na-mao-nao-e-um-sacrilegio-6384987368587264?


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

LIVRO REÚNE ANOTAÇÕES PESSOAIS QUE JOÃO PAULO II PEDIU QUE QUEIMASSEM

Os escritos contêm perguntas importantes, íntimas e profundas do Papa polonês, e constituem o principal documento do seu processo de canonização.



Em seu testamento, escrito em diferentes etapas durante os exercícios espirituais no Vaticano, João Paulo II pediu aos que poderiam ser considerados herdeiros seus: “Que as anotações pessoais sejam queimadas”.

A petição foi feita ao seu secretário pessoal, Stanisław Dziwisz: “Peço que isso fique sob a responsabilidade de Dom Stanislaw, a quem agradeço pela colaboração e a ajuda tão prolongada e tão compreensiva nestes anos”.

Pouco depois do funeral do Papa polonês, perguntamos ao futuro arcebispo de Cracóvia por que ele não havia atendido ao pedido. E ele respondeu: “Porque esses papéis têm uma relevância histórica”.

Agora, chega de Cracóvia a notícias de que, no dia 5 de fevereiro, será lançado o livro "Estou nas mãos de Deus. Anotações pessoais de 1962 a 2003". Como revela a editora Znak, o leitor encontrará no livro "perguntas importantes, íntimas e profundas, comovedoras meditações e orações que marcavam seu tempo dia a dia”, bem como "anotações que testemunham sua preocupação com os seus entes queridos (amigos e colaboradores) e com a Igreja que lhe havia sido confiada”.

As anotações, como acrescenta a agência Kai, “tornaram-se agora o principal documento no processo de canonização”. E cita o próprio cardeal Dziwisz: “Não, não queimei as anotações de João Paulo II porque constituem a chave de leitura da sua espiritualidade, a parte mais íntima do homem: suas relações com Deus, com o outro e consigo mesmo”.

O editor, por sua vez, confessa que se sente honrado e promete uma excelente edição. (Artigo publicado originalmente por Religión en Libertad)


terça-feira, 21 de janeiro de 2014

CONSUMO DE GRAVIOLA NO COMBATE AO CÂNCER NÃO TEM COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA


                                                 por Jocelem Salgado

“... as pesquisas comprovam que a annona muricata tem demonstrado resultados positivos como: inibidora do vírus herpes simplex; possuir propriedades antiviral, antiparasitárias; e ser benéfica contra os efeitos antirreumáticos e citotóxicos”



Vou falar sobre uma fruta pouco consumida, mas que tem muitas e boas propriedades, a graviola cujo nome científico é annona muricata.
Tal espécie é cultivada em regiões tropicais das Américas. No Brasil é muito produzida no Nordeste, tendo destaque no Ceará, Bahia, Pernambuco e Paraíba. As folhas da gravioleira são utilizadas em infusões, tanto secas como moídas. Seus frutos são utilizados em sorvetes, sucos, geleias, compotas e como doces.
Essa fruta apresenta uma nova classe de fitoquímicos, dentre eles as acetogeninas anonáceas que têm demonstrado ser antitumoral, pesticida, inseticida, antibacteriana, antiparasitário e ainda possui efeito * imunossupressor.

Em um estudo realizado para verificar a viabilidade celular de cultura de linfócitos tratados com a fruta verificou-se uma correlação positiva entre a atividade antioxidante e o conteúdo de polifenois totais (r=0,896; p=0,05). Os dados obtidos com o estudo indicam que os derivados da gravioleira apresentam importante atividade antioxidante frente ao radical DPPH e também aumento na viabilidade celular, indicando minimização nos danos oxidativos.
Segundo Shahidi, através de seus estudos clínicos e epidemiológicos, foram mostradas evidências de que antioxidantes fenólicos de cereais, vegetais e frutas são os principais fatores que contribuem para a baixa e significativa redução da incidência de doenças crônicas e degenerativas (diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade, câncer, entre outras) encontradas em populações cujas dietas são altas na ingestão desses alimentos.
Vários pesquisadores evidenciaram seus estudos com a gravioleira, com base na medicina popular e observaram que as folhas utilizadas em infusão ou liofilizadas (ou seja, em cápsulas) para uso no tratamento de diabetes, gripes, tosses e hipertensão. Outros estudiosos obtiveram resultados positivos da espécie como anticancerígeno e antitumoral devido à presença do composto bioativo acetogeninas, que são compostos característicos das annonaceae e que exercem **citotoxidades seletiva sobre as células tumorais (significa que destroem as células tumorais) sem afetar as células normais.



As frutas da gravioleira conhecidas como graviola, são comercializadas e consumidas in natura e também em polpa congelada, que é a forma mais comum de ser encontrada. Essas polpas congeladas possuem propriedades antioxidantes, correlacionando esses resultados com compostos como fenólicos, carotenoides e vitamina C.

Dentre as inúmeras pesquisas realizadas com a graviola, foram obtidos muitos relatórios de efeitos generalizados, pois é uma fruta que apresenta muita dificuldade de se obter provas concretas.

Porém, as pesquisas comprovam que a annona muricata tem demonstrado resultados positivos como: inibidora do vírus herpes simplex; possuir propriedades antiviral, antiparasitárias; e ser benéfica contra os efeitos antirreumático e citotóxicos.
Alegação do FDA (Food and Drug Administration)

O FDA (órgão governamental dos Estados Unidos da América que faz o controle dos alimentos, tanto humano como animal), aprovou a graviola apenas para ser usada como um coadjuvante na melhora da função imunológica. Porém, existem mais de 11 publicações em artigos indexados mostrando, por exemplo, propriedades sedativas das folhas da graviola, (Bourne RR West Indian Med J 1979 28:2), ou de fortalecimento do sistema imunológico (Wu FE vários J Nat Prod junho de 1995).

O maior número de pesquisas realizados com a fruta vem de Purdue University nos Estados Unidos que até o momento gastaram em torno de cinco milhões de fundos públicos em estudos.

"Cura" o câncer?

Pesquisas in vitro indicaram que vários dos ingredientes ativos (acetogeninas annonaceous) matam células malignas de 12 tipos diferentes de câncer incluindo câncer de mama, ovário, cólon, próstata, fígado, pulmão, pâncreas e linfoma.

Atualmente o NCI - Instituto Nacional do Câncer dos EUA suporta as pesquisas da Purdue University e, recentemente, estudos confirmaram que extratos de folhas de graviola” matam” células cancerosas " e foram especialmente eficazes contra cânceres de próstata e pâncreas. Outro estudo mostrou seu efeito contra o câncer de pulmão.

O estudo mais recente da Universidade Católica da Coreia do Sul mostrou que os ingredientes ativos têm "seletiva citotoxidade”.

Um outro estudo publicado no Journal of Natural Products alegou que a graviola foi dez mil vezes mais eficaz que a adriamicina. Um terceiro estudo da Coreia do Sul mostrou que, ao contrário de adriamicina, não havia nenhuma atividade negativa sobre as células saudáveis, ao passo que um quarto estudo da Purdue University afirmou que muitas células cancerosas sobreviventes à quimioterapia clássica, através do desenvolvimento de resistência aos produtos químicos, foram atacadas nada a menos pelos agentes da graviola.

O pesquisador da Purdue, Dr. Jerry McLaughlin, diz que muitas células cancerosas, ao longo do tempo, desenvolvem uma substância conhecida como P-glicoproteína capaz de expulsar o agente de quimioterapia antes que ele possa trabalhar, beneficiando a saúde do organismo. No entanto, componentes químicos da annona não são suscetíveis a essa substância e conseguem destruir as células cancerígenas.

Um trabalho recente publicado em 2011 pella UNIPAM concluiu que a graviola pode apresentar alta citotoxicidade (morte de células normais) não devendo ser usada como preventivo para câncer.

No entanto, caso a doença já esteja estabelecida, a graviola poderá ser utilizada como coadjuvante no tratamento, visto que diminue a frequência de tumores no organismo conforme mostrado no estudo in vivo usando mosca das frutas (drosóphila melanogaster).
Vale ressaltar que todos os estudos feitos até o momento foram realizados “in vitro” (usando células) e em animais, não existindo nenhuma confirmação com embasamento científico em estudos clínicos com humanos. Por isso cuidado com a automedicação.

* Imunossupressor: que ou o que suprime ou reduz as reações imunológicas específicas do organismo contra um antígeno (diz-se de substância, medicamento ou tratamento); imunodepressor.


Mais informações: www.jocelemsalgado.com.br

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

AS 3 MENSAGENS DE FRANCISCO COM A CRIAÇÃO DOS NOVOS CARDEAIS

A Igreja não é a velha Europa, na Igreja não há condecorações e o sínodo dos bispos é algo sério.



O anúncio dos nomes dos primeiros cardeais eleitos pelo Papa Francisco gerou expectativa, pois mostra sua visão para a Igreja, particularmente neste momento de reforma da cúria romana.

A lista dos 19 futuros purpurados, procedentes de 12 países, permite tirar conclusões bastante evidentes sobre as intenções do Bispo de Roma.

A Igreja não é a velha Europa

Entre os novos cardeais, faltam nomes de países que durante séculos prevaleceram nos cargos cardinalícios: Espanha, França, Bélgica e Estados Unidos. No entanto, podemos ver bispos que guiam dioceses desconhecidas, como a de Cotabato, na ilha de Mindanao, nas Filipinas, ou a de Les Cayes, no Haiti. Ninguém havia previsto nem poderia prever estas nomeações.

Ao nomear estes dois cardeais, bem como arcebispos de Burkina Faso, Costa do Marfim, Nicarágua, ao invés de elevar arcebispos de históricas cidades europeias, o Papa está deixando uma mensagem clara e forte: a Igreja não é a velha Europa, a Igreja não é uma instituição estagnada no passado. A Igreja é universal e está perto dos pobres, dos últimos, de todas as periferias do planeta.

Na Igreja não há condecorações

Esta constatação oferece uma segunda mensagem muito clara deste Papa: na Igreja, não há dioceses de primeira divisão e dioceses de segunda. Ser cardeal não significa desfrutar de privilégios ou fazer carreira.

Como se não tivesse ficado claro, o Papa enviou uma carta muito direta aos recém-nomeados cardeais: “O Cardinalato não significa uma promoção, uma honra ou uma decoração; é simplesmente um serviço e exige que se alargue o olhar e se amplie o coração”.

“É por isso que te peço, por favor, que recebas esta designação com um coração simples e humilde. E, não obstante tu devas fazê-lo com júbilo e alegria, faz com que este sentimento permaneça distante de qualquer expressão de mundanidade, de qualquer festa alheia ao espírito evangélico de austeridade, sobriedade e pobreza”, acrescenta o Papa.

O sínodo é algo sério

Por último, há uma nomeação significativa. O Papa nomeou como cardeal o arcebispo italiano Lorenzo Baldisseri, a quem recentemente havia nomeado secretário-geral do Sínodo dos Bispos. Havia outros cargos tradicionalmente cardinalícios na cúria romana, que o Papa não quis levar em consideração; no entanto, ele nomeou este arcebispo, que desempenha um cargo que até agora não era considerado cardinalício.

Ao atribuir um papel forte ao novo coordenador do Sínodo dos Bispos, o Papa está manifestando a grande importância que pretende dar a esta instituição em seu pontificado. As reuniões sobre a reforma da cúria romana, realizadas pela comissão de 8 cardeais nomeados por Francisco, começaram precisamente pela reforma e potencialização do Sínodo dos Bispos.

Nesta instituição, o Papa vê o ambiente natural para promover a colegialidade, a colaboração entre os bispos do mundo inteiro com o Papa, entre as dioceses e a Santa Sé. A mensagem é clara. E o próximo sínodo sobre a família, que será realizado em outubro no Vaticano, será a prova.

Você acha que o Papa os transmite outras mensagens através das nomeações dos cardeais?